Três dias após o anúncio do iPhone e um certo mistério em torno do lançamento que leva o nome Secret (segredo), era esperado que os jornalistas especializados apostassem que a LG daria uma resposta ao aparelho ‘baratinho‘ da Apple. Para a meia dezena de jornalistas que a empresa reuniu na Casa Petra, em São Paulo, ficou claro que, mesmo sem 3G e GPS, o LG Secret não chegou a ser uma decepção, talvez porque chegou recheado de outros atributos de encher os olhos. Mas, de quase todos com os quais conversei, ouvi um ‘esperava mais‘ e é sobre isso que discuto mais.
É claro que a LG não investiria milhões de dólares e meses de pesquisa e desenvolvimento em um produto que nasceria sem fôlego. Juntando isso a outros movimentos de mercado e à declaração do vice-presidente e CEO da Divisão de Comunicação Móvel da LG Electronics América Central e Sul, Jang-Hwa Lee - que disse que ‘Brasil e América Latina não estão preparados para 3G‘ -, é certo imaginar que, ou a empresa acha que a tecnologia de terceira geração vai empacar ou o consumidor de telefonia móvel está amadurecendo.
Se maduro é o que está pronto, podemos dizer que o consumidor está pronto ou quase - para comprar tecnologias que lhe atendam e não que lhe seduzem?
Diga-me quais são os parâmetros utilizados por um consumidor para escolher um telefone celular? O primeiro, para a maioria (exceto quem tem dinheiro sobrando ou segue o ditado de que mais vale um gosto do que um caminhão de abóbora), é o preço. Quanto custa? Esta é pergunta na ponta da língua de qualquer um que vai às compras. O segundo é a fama do modelo, ou seja, o quanto a marca e modelo agregam status ao consumidor. Por melhor resolvido que seja, poucos deixam de escapar esse critério na hora da escolha. Por fim, ficam sabendo se têm os recursos que desejam.
Este parâmetro é personalíssimo. Tem gente que faz questão de ter uma câmera de alta resolução incorporada ao aparelho porque assim pode fotografar tudo o que quiser sem ter que carregar dois equipamentos o tempo todo. Outros não abrem mão de acessar a Internet pelo celular e há quem não transforma o aparelho em um tocador de música digital. Ler e responder e-mail, anotar recados e utilizar a agenda no telefone já são demandas quase exclusivas dos executivos, homens de negócios que tanto viajam a trabalho que mal têm mesa no próprio escritório.
E é nessa ordem de critérios que a maioria dos consumidores brasileiros ainda se define sobre a compra de um telefone celular, exceto para os que citei por último, ou seja, os executivos. Portanto, não acho que isso simbolize maturidade. Quero dizer que grande parte ainda leva ou não determinada tecnologia para casa se for algo indispensável em sua rotina. As demais são vistas como lucro de um produto cujo preço coube no orçamento, seja a compra a vista ou parcelada.
Então, imagino que os fabricantes, em especial a LG, não acreditam que a tecnologia de terceira geração vá emplacar tão fortemente nos próximos dozes, afinal, essa é a expectativa de vida de um telefone celular para alguém que anda em sintonia com o mercado. Mas, não emplacará por quê?
Queria muito ter acesso às pesquisas que fazem para ter mais respostas. Na impossibilidade, fazemos conjecturas com expectadores próximos desse setor. Não emplacará porque as redes 3G das operadoras de telefonia móvel não são enormes e não vão crescer de forma acelerada, afinal, ainda existe uma grande base de assinantes não muito disposta a migrar para um serviço mais caro só para poder ver a cara do interlocutor enquanto conversam.
É também provavél que muitos deixem de aderir por enquanto porque preferem esperar o amadurecimento - olha ele aí de novo! - e aperfeiçoamento das redes e dos serviços. Além disso, tem gente que adquiriu novos aparelhos há muito pouco tempo para encarar um upgrade em um intervalo de tempo tão pequeno.
No fritar dos ovos, podemos concluir que temos um mercado imaturo ansioso por novas tecnologias, mas não tão rico para adquirí-las assim que chegam às prateleiras. Por isso, tentarão ficar com o que existe de melhor pelo preço médio. E podemos concluir ainda que na falta de dinheiro sobrando, apesar do propalado aquecimento da economia, é preciso alimentar o mercado de novidades para esse público médio-alto, que não quer ser feio. Aliás, quem quer?
Coluna de Nalu Saad
Jornal hoje em dia

3 Comentários nessa postagem
Pingback e Trackback
Deixe um comentário